RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTUDANTES DE MEDICINA EM ESTÁGIO NO CAPS

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Durante o internato do curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), tem-se o estágio de Saúde Mental, no qual, sob orientação do professor Sérgio Aragaki, os estudantes devem conhecer um dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) de Maceió-AL. As acadêmicas Michele Rocha e Rhosana Lisboa estagiaram durante o mês de novembro do corrente ano – 2023 – no CAPS Casa Verde.

Para além da Medicina, o estágio no CAPS fornece oportunidade de obter contato com as demais áreas pertinentes ao cuidado com saúde e, especificamente, a saúde mental. As principais atividades desenvolvidas no CAPS Casa Verde são: Brechó Mãos Unidas, Sonhos Artes e Bordados e a Oficina de Panificação. Em cada uma dessas oficinas, há usuários da unidade não apenas como participantes, mas também envolvidos diretamente na coordenação. Na Oficina de Panificação, por exemplo, realizada às segundas-feiras, as estudantes puderam participar de forma ativa do processo de fabricação dos pães, sendo orientadas pelos próprios usuários em todo processo, os quais mostraram-se animados em repassar cada passo e planejar recursos para aquisição de mais materiais necessários à produção.

Por intermédio do contato direto com os usuários e profissionais da unidade, todos extremamente receptivos, foi possível compreender de maneira mais ampla o papel dos Centros de Atenção Psicossocial no cuidado do indivíduo. Desde o acolhimento ao acompanhamento de seus cotidianos, é perceptível o papel de atividades que os ocupem de maneira produtiva, auxiliando no processo de desenvolvimento social, aspecto que considera a singularidade do sujeito ao invés de o resumir a seu diagnóstico.

Uma das dificuldades apresentadas pelo CAPS Casa Verde, que também é recorrente em outros centros, é a quantidade reduzida de funcionários na equipe, o que evidencia a necessidade de maior investimento nestes espaços tão importantes ao processo do cuidado. Durante o estágio, por exemplo, devido à ausência da terapeuta ocupacional justificada por seu período de férias, muitas atividades – como o grupo de leitura -, tiveram que ser interrompidas, haja vista a falta de outra pessoa para substituí-la na realização. Infelizmente, ainda somos parte de um sistema hospitalocêntrico, que prioriza a terapêutica focada na enfermidade, de modo que os recursos direcionados à unidade não englobam verba suficiente para ampliação do serviço a ponto de atender efetivamente todo o território onde se insere. A despeito disso, torna-se nítido o comprometimento dos profissionais atuantes no local, que apresentam vínculos significativos com os pacientes e, a partir de tais conexões, auxiliam, cada um à sua maneira, ao Projeto Terapêutico Singular (PTS) destes.

Deixamos, então, nossa gratidão à equipe da unidade, que nos acolheu e se prontificou a esclarecer o funcionamento do serviço, além do esforço em nos incluir nas atividades que ocorriam, a fim de estabelecermos nossos próprios vínculos com os usuários e fortalecermos nosso aprendizado. Apesar dos obstáculos encontrados, despedimo-nos do estágio com a convicção da relevância do CAPS para a vida dos que usufruem do serviço e a certeza de que somos parte da construção de uma Medicina cada vez mais focada na pessoa ao invés de na doença.