TESTE RÁPIDO PARA HIV – NOVA TÉCNICA NO AUXÍLIO DA DESCOBERTA PRECOCE DA DOENÇA

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Boa Tarde Pessoal

Sou acadêmica do 4º semestre do curso de graduação em Psicologia da Faculdade Integrada de Santa Maria (FISMA) e trago algumas curiosidades sobre o Teste Rápido de HIV e o quanto conviver com esse diagnóstico pode ser difícil.

A AIDS, ao se fazer presente no mundo moderno, trouxe consigo a ameaça de uma crise global de rápida disseminação e gravidade, exigindo respostas e a necessidade de criação de recursos econômicos, políticos, sociais e psicológicos que resolvessem esse problema mundialmente. Tratada como uma ameaça, essa crise trouxe à tona a nossa capacidade de lidar de forma humanitária com uma doença repleta de estigmas e preconceitos. Assim, avanços expressivos aconteceram, ações foram inseridas, respostas foram nascendo, mitos foram sendo desarticulados, reflexões e novas tecnologias de prevenção e assistência foram criadas (REIS, 2008).

O município de Porto Alegre/RS tem sido destaque, na última década, por liderar o ranking de casos de Aids entre as capitais brasileiras, com uma taxa de incidência de 93,7 casos/100 mil habitantes chegando a mais de 200 casos/100 mil habitantes em algumas regiões de maior vulnerabilidade.

Alguns avanços como a chegada dos antirretrovirais que melhoraram a qualidade de vida das pessoas, afastando-as da grande letalidade da doença, permanece a triste comprovação de que a epidemia ainda é imperante e que a relação do conviver com o HIV e a AIDS continua cobrando um alto custo com o sofrimento humano, advindo do preconceito e discriminação que a doença impõe (ALMEIDA, 2007).

Pelo medo da exposição, muitas pessoas afetadas pelo vírus limitam seu acesso aos meios de proteção, promoção e assistência, fazendo com que estas, em muitos casos, escondam sua condição sorológica pelo receio de sofrer com o preconceito e discriminação. Com isso, o tratamento fica em segundo plano tornando-se ineficaz (ALMEIDA, 2007).

Falando em sociedade preconceituosa e discriminadora, vale lembrar que para muitos, a AIDS é vista como uma doença homossexual já que os primeiros casos foram reconhecidos em gays e em usuários de drogas injetáveis. Logo após, os primeiros casos em heterossexuais relatados, foram em imigrantes africanos e haitianos, tornando a doença ainda mais discriminada (MENDONÇA, 1992).

Uma das dificuldades encontradas pelos portadores do vírus, na busca por atendimento, é principalmente o sigilo, muitos evitam de comparecer as Unidades Básicas para seus atendimentos de rotina por medo do reconhecimento de familiares e amigos que ainda não compartilham do diagnóstico. Estudo realizado por Granjeiro et al. (2011) constatou que o risco de morte nos 12 primeiros meses após o diagnóstico está diretamente associado ao diagnóstico tardio e consequente início tardio do tratamento. Os autores afirmam que o acesso ao diagnóstico e tratamento no tempo considerado adequado poderia reduzir em até 50% as taxas brasileiras de mortalidade por Aids.

Com isso, novas propostas assistenciais passaram a nascer, ligadas a diretrizes políticas do Ministério da Saúde. Dentre essas ações, está a proposta de descentralização do acesso ao diagnóstico para a atenção básica, através da oferta de teste rápido para HIV e sífilis e aconselhamento nas unidades básicas de saúde.

O advento do teste rápido para HIV é considerado um dos aspectos que possibilitaram a inserção do diagnóstico na atenção básica. Sua oferta é estabelecida no SUS pela Portaria nº 151, de 14 de outubro de 2009, reconfigurando o diagnóstico para o HIV, com o propósito de reduzir o tempo para o resultado a aproximadamente 30 minutos, enquanto o método clássico levava em torno de 15 dias. Além disso, o teste rápido não necessitaria processamento laboratorial, o que diminuiria o tempo de retorno. Porem, fragilidades citadas na rede básica podem afetar este processo, como a estrutura da rede, para que esta estrutura comportasse novas ações ligadas ao campo da Aids, como local para implantação de grupos de prevenção e promoção de saúde voltadas ao tema do HIV, e quanto ao resultado emitido pelo teste rápido, se este é tão eficaz quanto o teste laboratorial, afinal ninguém quer dar um diagnóstico, principalmente de sorologia positiva, incorreto. Considerando que as diretrizes sobre a descentralização da atenção em HIV ainda são recentes, há poucos estudos acerca desse tema que possam definir de imediato esta situação. Compreende-se que a implantação de uma nova política não ocorre mecanicamente, mas mexe com desejos, movimenta recursos e significados entre os envolvidos no processo, os quais podem tanto facilitar quanto dificultar a sua implementação, mesmo que seja para a sua própria saúde (ALMEIDA, 2007).

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Maria Rita de Cassia Barreto de; LABRONICI, Liliana Maria. A trajetória silenciosa de pessoas portadoras do HIV contada pela história oral. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, p. 263-274, Mar.  2007.

MENDONÇA, Eduardo A. Os homossexuais e a Aids: sociologia de uma epidemia.Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 104-106, Mar.  1992.

REIS, Cláudia Tartaglia et al. A interiorização da epidemia de HIV/AIDS e o fluxo intermunicipal de internação hospitalar na Zona da Mata, Minas Gerais, Brasil: uma análise espacial. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 6, p. 1219-1228, June 2008.