Comentário sobre o Texto de Ricardo Teixeira: “As rede de trabalho afetivo e a contribuição para uma outra concepção de público”

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Comentário sobre o texto de Ricardo R. Teixeira

Vou começar pela parte que mais gostei do texto: “Microfísica do vínculo: uma leitura espinosiana”. Espetacular. O autor se despe da pompa acadêmica apoiado na autoridade dos escritos de Espinosa e manda ver na dinâmica visceral dos encontros entre usuários e trabalhadores no cotidiano do SUS. Introduzindo a partir do conceito de que redes de conversa constroem e materializam idéias que se corporificam na qualidade das relações que os atores tecem Ricardo foca na dimensão pragmática do encontro como operação de passagem onde o dispositivo da conversa efetua o bom ou o mau acolhimento: perfeito.

O melhor foi ver ele tematizar a democracia no debate mais íntimo das relações humanas coisa sobre a qual já refleti neste curso em seu aspecto mais amplo. Vocês já me conhecem. Depois que ele usou a paquera (conhecimento vago – 1º estágio) como conceito elucidador do primeiro estágio do acolhimento, avançando para a paixão no segundo estágio (afetos de confiança e noção de que um convém o outro) e finalizando com o conhecimento adequado em que se pode suportar a alteridade, me rendi. Melhor e mais agradável texto de se ler até aqui.

A coragem de se apostar em um amor de fato tão generalizado pelo outro, que no extremo se refere a todos os seres humanos a ponto de querer ser com ele e simultaneamente suportar seu destino fático, sua alteridade é admirável. Eu modestamente compartilho desta coragem e faço esta aposta..

Veja aqui o texto completo: