A importância da escuta no ambiente hospitalar

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 Sou psicológa de uma Santa Casa e gostaria de compartilhar uma experiência que tive recentemente, foi o atendimento de  um senhor de noventa anos que internou para tratar uma infecção de urina. Fui solicitada porque o senhor estava agressivo, queira ir embora e, ameaçava todos com a sua bengala. Um estagiário de enfermagem e eu notamos que ele precisava apenas de um pouco de atenção.

 

Esse senhor era libanês, mudou-se para o Brasil já adulto, e vivia sozinho. Para ele estar dividindo um quarto com outros pacientes gravemente acometidos era um incomodo muito grande, pois apesar da idade ele é extremamente lúcido e saudável. Primeiro o estagiário o trocou de quarto, depois conversamos um longo período sobre seu modo de viver. Para aquele senhor que vivia tradições distintas da nossa estar doente era um castigo de Deus.

 

Antes de sair do quarto ele me disse: “Obrigado, você me trouxe um pouco de vida!”. Esse caso me fez refletir novamente sobre o quanto é importante escutar o que o paciente tem para nos falar. Um simples olhar, um sorriso, atenção, são atos simples, mas que fazem toda a diferença.

 

É crucial termos um olhar diferenciado sob o paciente sempre visando seu bem estar, afinal a hospitalização é encarada de maneira diferente por cada paciente. O hospital é cheio de rotinas, normas, regras, além de todos os procedimentos invasivos e dolorosos. Escutar o paciente é uma grande ferramenta para melhor trabalharmos, pois dá segurança para do doente, forma vínculos, diminui as ansiedades. Desta maneira estamos cumprindo com o nosso dever de valorizar o cidadão e respeitar as singularidades, produzindo saúde de maneira integra e respeitando o homem como ser biopsicosocial.