Entre a Vulnerabilidade Institucional e o Cuidado Humano: Vivências do Estágio No CAPS ROSTAN

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Me chamo Danielle Vieira de Barros, sou estudante de medicina do 9° período da UFAL e este relato tem como objetivo contar a minha experiência no  Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Dr. Rostan Silvestre, como parte do meu estágio em Saúde Mental.

Meu período de estágio no CAPS ROSTAN foi marcado por um contexto muito difícil , já que a unidade estava sofrendo com assaltos e invasões, chegaram a ser 7  furtos em um só mês,  com isso computadores, aparelhos de ar-condicionado, impressoras, mesas, cadeiras, torneiras e insumos destinados às oficinas terapêuticas foram subtraídos em diferentes ocasiões. O cuidado em saúde mental depende de previsibilidade e segurança física — elementos vitais para uma população que em sua maioria está em um contexto de vulnerabilidade social e  abandono. Diante disso, a postura da equipe foi de resistência. Em vez de paralisar as atividades, os trabalhadores e estagiários reorganizaram o serviço, sempre dispostos a utilizar os poucos recursos que restaram no local para manter as atividades em grupo. Além disso, presenciei a organização de um abaixo-assinado pela equipe em conjunto com os usuários visando atingir as autoridades públicas para garantir a segurança e a disponibilização de novos recursos ao CAPS, bem como diferentes entrevistas às emissoras locais com objetivo de denunciar o cenário de insegurança que o CAPS Rostan estava presenciando.

Um grande destaque dessa experiência no CAPS Rostan para minha formação acadêmica foi a percepção de que a eficácia do tratamento psicossocial reside na atuação integrada da equipe multiprofissional que trabalha interdisciplinarmente, de modo que a estruturação do plano terapêutico singular do usuário pode ser elaborada por qualquer técnico responsável no dia (psicólogo, nutricionista, educador físico, assistente social, enfermeira, entre outros), permitindo enxergar o usuário sob uma perspectiva holística, superando o modelo exclusivamente biomédico.

A dignidade do atendimento no CAPS ROSTAN esteve na qualidade da presença, no olhar atento e na validação do sofrimento psíquico.A preservação das atividades coletivas provou-se o coração da proposta psicossocial, funcionando como ferramenta contra o isolamento social dos usuários em crise.