Indústria da saúde aposta no Brasil

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medicalização da vida

População de baixa renda amplia consumo de medicamentos e faz fábricas, distribuidoras e hospitais contratarem e desengavetarem projetos de expansão

A indústria da saúde aproveita o ano de crise econômica mundial para crescer no Brasil, onde a melhora da renda das classes C e D insere milhões de pessoas no mercado de consumo de medicamentos e de serviços médico-hospitalares. Pesquisa da consultoria Pricewaterhouse Coopers envolvendo 70 executivos da indústria farmacêutica, distribuidoras de medicamentos e hospitais em atividade no país constata que 86% estão investindo neste ano. A grande maioria (83%) afirma que destinará até R$ 15 milhões para desenvolver novos produtos, melhorar ou ampliar instalações e aprimorar as tecnologias usadas.

“É surpreendente. Olhando o resultado friamente, parece até exagero”, diz o sócio da Pricewaterhouse Coopers Luís Madasi. Ele lembra que as entrevistas com os executivos foram realizadas entre a segunda quinzena de maio e os primeiros 15 dias de junho. “Naquele momento, o ambiente ainda não estava muito claro, especialmente em relação à cotação do dólar e à inflação”, frisa ele.

Emprego

Madasi atribui o otimismo ao potencial de expansão do mercado brasileiro. “Quando se fala na indústria de medicamento, não podemos esquecer que há uma parcela grande da população que ainda não tem acesso, nem mesmo aos genéricos, cujos preços são mais em conta”, avalia. “O que se pode concluir é que essa é uma indústria que espera crescer no curto prazo e enxerga perspectivas de médio e longo prazo com otimismo.” Tanto que 42,9% das empresas consultadas responderam que irão contratar para ampliar o quadro de pessoal.

É o caso do Laboratório Teuto Brasileiro. “No fim do ano passado a indústria como um todo fez alguns cortes de empregados. Mas nada que comprometesse o nível de produção. A Teuto não precisou fazer”, conta o presidente da empresa, Marcelo Henriques Leite. “Agora, com o crescimento que estamos registrando em nossas vendas, vamos precisar admitir.” O executivo acrescenta que este aumento nas vendas vem sendo provocado pelo mercado de genéricos, que está se consolidando no Brasil e é o carro-chefe do laboratório.

“No exterior, os medicamentos genéricos respondem por cerca de 50% das vendas. Aqui no Brasil esse segmento corresponde por algo entre 15% e 17%”, calcula Leite. “Portanto, ainda há espaço para avançar muito”. E foi apostando nisso que a Teuto programou seus investimentos pelos próximos 10 anos. “Investimos 7% do nosso faturamento líquido no desenvolvimento de novos produtos. Mantivemos os valores sem cortes. Só em máquinas, gastamos de 2% a 3% de nossa receita. Compramos os equipamentos, recebemos e estamos usando”. O presidente conta que a Teuto fez um grande investimento e agora está recuperando a participação de mercado que tinha. “Nosso faturamento está aumentando de 20% a 25% ao ano. E devemos manter este ritmo em 2009.”

Lucro maior

Os bons resultados também são apresentados pela Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, uma das principais distribuidoras da indústria farmacêutica do país. No segundo trimestre deste ano, a empresa registrou lucro líquido de R$ 17,9 milhões, valor 66,2% maior do que em igual período do ano passado. Esse aumento corresponde a 2,8% da receita operacional líquida, maior margem alcançada pela companhia em trimestres semelhantes desde 2006.

A receita bruta teve expansão de 15,5% em relação aos primeiros três meses do ano, somando R$ 764,3 milhões. “Vale destacar que essa alta foi homogênea em todo país e se deu principalmente em razão do foco da Profarma dado aos clientes independentes no início do quarto trimestre de 2008”, explica Max Fischer, diretor financeiro e de relações com investidores da Profarma.

“No segundo trimestre deste ano, conseguimos obter os resultados positivos que esperávamos quando iniciamos as ações de fortalecimento do caixa da companhia. Esse esforço foi fundamental para enfrentar os períodos mais agudos da crise e consolidar o posicionamento da Profarma como um dos grandes players do setor de distribuição de medicamento no Brasil”, diz Fischer.

Esses resultados confirmam as previsões feitas durante as entrevistas da pesquisa da Pricewaterhouse Coopers. “Naquele momento, os executivos tinham uma visão positiva para o curto prazo. Agora, podemos constatar que os resultados estão aparecendo e que o mercado brasileiro tem, de fato, um grande potencial na área de saúde”, conclui o coordenador da pesquisa.

 

(Fonte: Correio Braziliense – 31/08/2009)