4º Simpósio de Inovação e Gestão na Saúde – Espírito Santo – Fundação Inova Capixaba
Palestrei 4º Simpósio de Inovação e Gestão na Saúde (SIGS) e para o 2º Simpósio de Humanização na Saúde, que aconteceu no Espírito Santo entre os dias 13 e 15 de maio, Vitória-ES. Foi um encontro encontro para discutirmos o futuro da gestão pública e as melhores práticas de cuidado no SUS. O evento foi realizado pela CEPINOVA – centro de pesquisa e inovação da Fundação Inova Capixaba e teve apoio da FAPES, Senac, SUS e Governo do estado do Espírito Santo, e também da Rede HumanizaSUS.
Falei sobre a Rede HumanizaSUS e sobre a Política Nacional de Humanização. Foi uma experiência de muita alegria e responsabilidade.
A RHS nasceu e segue existindo como uma rede social pública dos trabalhadores, gestores, pesquisadores e usuários do SUS. Uma rede feita de histórias, práticas, experiências, inquietações e apostas de quem atua todos os dias para fazer o SUS acontecer com universalidade, integralidade, equidade e participação social.
Na palestra “Humanização como dispositivo do cuidado”, compartilhei a ideia de que humanizar é radicalizar os princípios democráticos do SUS. A humanização não é um adorno do cuidado, nem uma camada de gentileza acrescentada ao serviço. Humanizar é reorganizar relações, fluxos, processos de trabalho e modos de gestão para que o cuidado seja mais ético, mais responsável e mais comprometido com a vida concreta das pessoas.
Também conversamos sobre o hospital. O hospital cuida, protege, concentra ciência, tecnologia e trabalho coletivo. Mas o hospital também pode submeter. A internação quase sempre produz perdas: de autonomia, de rotina, de privacidade, de linguagem, de poder de decisão. Às vezes, o paciente perde até o nome e passa a ser leito, caso, diagnóstico ou procedimento. Humanizar, nesse contexto, é devolver margem de existência. É reconhecer que, mesmo quando não se pode decidir tudo, quase sempre ainda se pode decidir alguma coisa.
Falamos ainda da importância de não separar cuidado e gestão. A forma como o serviço se organiza também cuida — ou também produz sofrimento. Filas, fluxos, acolhimento, ambiência, comunicação, condições de trabalho e tomada de decisão são parte da produção de saúde. Não há cuidado humanizado sem gestão implicada no cuidado.
E, claro, reafirmamos algo fundamental para a Política Nacional de Humanização: não existe humanização sustentável se os trabalhadores estiverem adoecidos, invisibilizados ou sem espaço de escuta e participação. Cuidar de quem cuida não é um tema lateral. É condição para que o cuidado aconteça.
Voltei do Espírito Santo com muita gratidão pelo convite, pela presença de tantas pessoas comprometidas com o SUS e pela possibilidade de seguir fazendo circular essa pergunta que move a RHS desde o início:
como fazer da humanização uma prática viva, concreta e coletiva no cotidiano do SUS?
Seguimos em rede.
Seguimos no SUS.
Seguimos humanizando como quem insiste na democracia, no cuidado e na vida.
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