Relatoria da Reunião dos Consultores Matriciais, Regionais e Axiais

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Olá pessoal

Conforme combinado, ficamos responsáveis pela relatoria da nossa reunião sobre Apoio Matricial na PNH, realizada em 21 de fevereiro último, no Coletivo Nacional. Vejam se foi isso que conversamos. Abraços Beth Mori e Fábio Hebert
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Dario abriu a reunião situando os objetivos da reunião. Explicita o arranjo da gestão atual da PNH: coordenador regional, consultor regional, consultor matricial (expertise e circulação pelo território). Sabemos da potência deste lugar e dessa ação. Falou do atropelo das agendas em dois campos: composição das agendas em virtude do grupo ser pequeno / paralelismo das agendas e baixa comunicação / baixo grau de transversalidade. Estamos lidando não com problemas, mas com um conjunto de analisadores e necessidades de pactuar ações e agendas.

Edu apresentou os objetivos e desafio desta reunião para criação de um consenso possível que permita a sinergia dos coletivos regionais e axiais. A PNH tem princípios e diretrizes, mas é, sobretudo um modo de fazer, um método que é da inclusão (dos diferentes atores, da heterogeneidade de projetos e de sua inserção, dos analisadores  e sua experiência de crise). Incluir é lateralizar. Como fazer valer o primado do coletivo regional e axial sem que se produza centralização, apostando numa co-responsabilidade? Esta aposta também tem que valer para nosso modo de fazer na PNH. A gente aposta que este grupo se dissolva quando a PNH se constituir como uma política pública. Essa é nossa utopia. Como transformar esse modo de fazer em uma prática entre nós. Esse modo de fazer precisa de ajustes finos.

Beth Barros falou do arranjo de gestão que experimentamos já há um ano e traz a questão do nosso processo de trabalho. Propomos aqui uma análise do nosso processo de trabalho. Como não transformar o matriciamento em especialismos? Como estamos trabalhando? Quais processos estamos acionando com nossas práticas? Qual é o papel do consultor matricial em sua relação com os coletivos territoriais e axiais?

Problema para dentro: composição e paralelismo de agenda                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

Trabalhos em grupo:

Relatos orais: (os relatores dos grupos 1, 2 e 3 ficaram de nos entregar os relatos escritos, mas não o fizeram até o presente momento. Sugerimos que façam como Beth Mori – que já postou o relato do grupo 4 – colocando em seus blogs.
 
O que conseguimos registrar na apresentação oral foi:

Grupo 1 – necessidade de se definir um território (um espaço, um coletivo, uma roda) para os consultores matriciais. E um segundo território: fazer parte de um coletivo regional.

Poderíamos pensar outra inserção do matricial? Como habitar essa territorialidade? No sentido de ampliar as conversas? Como avaliar o processo de trabalho?

Grupo 2 – qual é a função? qual é composição possível das agendas (para dentro e para fora)? Seu trabalho está atrelado às regionais. Como definir prioridades? A falta de critérios acaba incentivando que o trabalho aconteça via contato pessoais/ negando o método coletivo. Como criar critérios coletivos? Como sair dos vínculos estabelecidos? O matricial inicia um trabalho e quer acompanhar o que começou. Como estar no movimento sem estar presente?

Divisão regional vinculada ao conhecimento dos matriciais. Definição tomada em conjunto com a região, sem submeter a vontade do coordenador regional. O que não implica uma territorialização (enraizamento). A questão é como se entende o matricial construindo junto o processo de trabalho. Há momentos em que o matricial pode intervir.

Importância de um olhar de fora nos processos de trabalho – olhar mais ampliado, de modo que o ressentimento não seja o tom/ a não articulação para a composição da agenda causa a sensação nas regionais de não implementação da PNH

Grupo 3 – dois núcleos de questões foram apresentados: fluxos de demandas aos consultores e como equacionar as vinculações paralelas que vão surgindo? pactuar um fluxo para as demandas e dirigidas ao um núcleo central de agendas (critérios e decidir prioridades, segundo estratégias das políticas e compatibilização das agendas pessoais). Vinculação a um território é necessário. E como tratar os territórios vazios? Nem todas as regionais têm os matriciais. Fala da dissolvência do matriciamento e isso passaria para um mapeamento da situação. Como está a distribuição de demandas para o profissional enquanto consultor da PNH?
Para dentro precisa estar articulado a regional. A negociação? Que seja feita no colegiado nacional. E as demandas que chegam aos matriciais e não como consultor da PNH (demandas publicas e privadas), mas como um especialista?  A situação se complica. Criar forma de organizar as demandas é “confortável” para o consultor que se vê sem um filtro organizador de demandas. Se houver alguma filtragem, o matricial se sente mais confortável.
E uma segunda questão da situação da dimensão publica da política: a função do matricial gera um contraste entre pratica pública e pratica privada. Uma certa maneira de lidar com políticas públicas. Como fazemos a gestão do comum? Comum da PNH? Tensões estão sendo geradas: lidar com a expertise do matricial que atende demandas de agendas interpolíticas (SMS, SES, hospital publica) embora o modo como respondemos é de forma privada. Não temos dedicação exclusiva com a PNH. A questão de carga horária e nem de exclusividade. A maneira de definir é ética e política. Difícil de ser protocolizada. Precisamos fazer rodas e discutir esta questão. Esforço de inventar gestão publica.
Principio da dissolvência: tem que se dissolver. O apoio do matricial deve estar associado a processo de formação/multiplicação. Atividades de formação.

Grupo 4 – Beth Mori já colocou na página (rede humanizasus)

Consensos possíveis:

1.    Gustavo – o matricial  – “tinha um saber que não sabia que se sabia”, mas foi um saber construído no coletivo. Parodoxo sem resoluções?! Será que é possível a dissolvência? Como dissolver saberes se partimos de saberes diferentes?
2.    Clara – Não acha possível acabar com os matriciais. Para quem é o apoio matricial? Não cair no especialismo, mas também não cair no generalismo. Não falaremos com a mesma propriedade que o matricial fala. Tem duas formas de inserção do matricial: 1) formação, multiplicadora para dentro da PNH – exemplo: O eixo 2 tem apoiado aos coletivos regionais. 2) Outro se dá na ponta, para as demandas específicas.
3.    Adriana Mafra – distancia geográfica = formação – eixo 3 – capacitar pessoas para serem matriciais de cada região do Brasil e esta multiplicaria na sua região
4.    Bernadete – como a PNH se iniciou o apoio institucional e o apoio matricial. Histórico. Processo de trabalho onde não existia um lugar institucional e uma forma de funcionar entre nós (consultores de território e matriciavam no Brasil afora). Agenda pactuada em coletivo. Temos saberes que precisam ser compartilhados em coletivos regionais e matriciais. Um dispositivo que discutimos em coletivos, saberes diferenciados que se complementam. Inserção do matricial no coletivo regional onde o trabalho mais ocorre. O que pode e o que não pode. Vamos pactuar. E o colegiado nacional definir agendas.
5.    Vera – construímos um saber coletivamente. Fazemos matriciamentos. Difícil dissolver este lugar. Trabalhamos com todos os dispositivos da PNH. Mas, o matriciamento traz desdobramentos. A saída da forma de fazer e a inserção neste coletivo: trocar mais metodologias, e o apoio intensivo pode ajudar a assumir mais os lugares do matricial. Fazemos clinica mais ampliada? Intensificar as trocas entre nós e pensar na possibilidade de experimentar outras formas de gestão.
6.    Flavia – como o especialista tem sido usado, tratado na PNH?  O arquiteto – matricial – não está ai para fazer projeto de arquitetura. A desterritorialização acontece. Quais os fóruns de terrioritório de inserção regional e também um território de debate. Necessidade de se criar os “territórios de debate” para não se alienar das questões da PNH.
7.    Tadeu – Comunicar uma ação ao coordenador é diferente de pactuar as ações num coletivo. Que coletivo é esse que iremos nos inserir? Propõe que além do território regional e de debate e também terceiro coletivo: do tema (saúde do trabalhador, M&A, etc)
8.    Mirela – Que território é este que atuamos? Qual é o vinculo com os territórios regionais (como construir entradas e saídas?). Não se preocupa com o especialismo. Como temos nos provocado nos trabalhos em dupla? Hoje, nós matriciais somos diferentes, não somos mais especialistas e não tornamos generalistas.
9.    Beth Mori: Somos trabalhadores de uma política publica e não especialistas e nem generalistas. 
10.    Ricardo: de quais dispositivos falamos mais, como matriciais? Rede, que sou matricial  é um dispositivo de altíssima dissolvência!  Traz o território e desterritorialização. O território de debate. Construir territórios desterritorializando. Trabalho como consultor matricial em ato. Especialismo e generalista. Diferentes graus.
11.    Edu – Espera que os coletivos não precisem mais (futuramente) de consultores externos.
12.    Claudia – um certo de fazer a PNH. Um dia deixarmos de existir e ser exercitado pelos trabalhadores da saúde. O matriciamento e a dissolvência são uma provocação que nos constitui deste sempre. Construção coletiva do trabalho. Importante a formação, mas não quero abrir mão do matricial. As questões específicas também são importantes e alguns saberes a gente pode contar com o externo.
13.    Ana – A discussão pode ser muita rica se vai na direção do fortalecimento do protagonismo dos coletivos. Qual será nossa estratégia para fortalecer a conversa “entre” os coletivos? Garantir estes espaços de conversa. A função matricial propicia a circulação e compartilhamento das experiências. Como combinar o pertencimento a uma certa inserção móvel?
14.    Bernadete – Potencializar o matriciamento que hoje está fragmentado, tornando as redes mais potentes enquanto movimento. E diante dos posicionamentos como saímos daqui?
15.    Gustavo – Distinção entre o “saber fazer” e o apoiar. Devemos investir no que é comum no matriciamento, que é a questão do apoio aos coletivos.

Concluindo: precisamos…

Definir critérios que balizem a construção da agenda dos matriciais e que não seja individual, mas da PNH;

Criar uma estratégia que indique um maior grau de pertencimento do matricial;

Pactuar fluxos das agendas;

Disponibilizar na rede o plano das regiões;

O matricial ter acesso aos relatórios regionais para conhecer os desdobramentos;

De tempo para elaborar outras questões que estão foram tocadas. Entretanto, existem questões que não precisam de tempo para pensar – como as que Ana H. colocou.

E os consultores das políticas vizinhas – como o Qualisus, por exemplo – e os atravessamentos externos?