Educação Permanente Guiada por Escuta Debriefing: Comunicação em Ambientes de Alta Complexidade.

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Proposta apresentada à disciplina “Humanização dos cuidados em saúde” Programa de Pós-graduação em Ensino em Saúde Mestrado Profissional da Faculdade de Medicina de Marilia (FAMEMA) no ano de 2026, ministrada pelas docentes Prof.ª Danielle Abdel Massih Pio e Prof.ª Dra. Magali Aparecida Alves de Moraes.

Autores: Thiago Almeida; Daniel Morijo; Gilson Almeida; Mayara Morgato; Rogerio Zanca..

Introdução

A comunicação efetiva entre profissionais de saúde no ambiente de trabalho exerce influência decisiva, pois envolve dinâmica nas relações, a cultura organizacional e a forma como o processo de trabalho é estruturado. Em cenários de alta complexidade assistencial, marcados por interrupções frequentes, demandas intensas e necessidade de respostas rápidas, o diálogo pode tornar-se fragmentado. Nessa perspectiva, a Política Nacional de Humanização reforça que a comunicação, a cogestão e a corresponsabilização são fundamentais para transformar as práticas de saúde e fortalecer o trabalho coletivo, consequentemente, promovendo a segurança do paciente, estando diretamente relacionada à qualidade da assistência e a redução de eventos adversos (BRASIL, 2013; NOGUEIRA; RODRIGUES, 2015).

A literatura aponta que os profissionais da saúde apresentam maior vulnerabilidade ao estresse ocupacional em razão das características inerentes ao trabalho que desempenham e das condições institucionais em que atuam. Assim, a Política Nacional de Humanização propõe a implementação de ações voltadas à transformação das práticas assistenciais e da gestão dos processos de trabalho, partindo da análise e compreensão do ambiente laboral sob a perspectiva dos próprios trabalhadores. (RIOS, 2008.)

Em consonância com essa perspectiva, a Política Nacional de Humanização estabelece, entre seus princípios, a transversalidade, entendida como o fortalecimento da comunicação intra e intergrupos e a transformação das formas de relação entre os sujeitos envolvidos nos processos de produção do cuidado. Tal princípio busca desestabilizar fronteiras rígidas entre saberes, territórios de poder e modos instituídos de organização do trabalho. Além disso, entre suas diretrizes, destaca-se a valorização do trabalho e do trabalhador, reafirmando a centralidade dos profissionais na construção de práticas mais humanas e qualificadas em saúde. (BRASIL, 2009).

A Política Nacional de Humanização reconhece que a articulação entre os profissionais de saúde constitui um dos principais desafios para a produção de cuidado qualificado. Nessa perspectiva, a humanização é compreendida como estratégia capaz de fortalecer as relações interpessoais no interior das equipes, promovendo maior integração, corresponsabilização e qualificação das práticas. Tal abordagem favorece o enfrentamento das singularidades dos sujeitos e dos coletivos no contexto da atenção à saúde, contribuindo para uma assistência mais sensível, resolutiva e centrada nas necessidades dos usuários. (SPAGNOL,2010).

Os conflitos tendem a emergir quando os  indivíduos da equipe assumem posições opostas, motivadas por diferenças na forma de perceber e interpretar situações ou por discordâncias de ideias, desta forma a comunicação constitui o alicerce das atividades desenvolvidas pelos profissionais de saúde, assumindo papel central na prática assistencial. Informações que deixam de ser compartilhadas ou que são transmitidas de forma inadequada podem gerar interpretações equivocadas entre os membros da equipe, comprometendo a continuidade do cuidado e impactando negativamente o tratamento e a recuperação do paciente. (BRONCA,2012).

Problemas.

Práticas desumanizadoras na comunicação dentro de ambientes de alta complexidade, de que forma a comunicação no ambiente de trabalho impacta no processo de cuidado do paciente e na qualidade do ambiente de trabalho.

Público alvo: Equipe multiprofissional atuação na atenção terciária.

Objetivo.

Melhorar a comunicação entre a equipe multiprofissional, visando otimizar as condições de trabalho e cuidado ao paciente.

Propostas de intervenção.

Escuta de debriefing após disparador relacionado ao tema (conscientização, identificação e análise do problema).
Identificação de atores para mediação e propagação das discussões.
Grupos de educação permanente com o objetivo de refletir sobre a prática profissional dando ênfase a temática humanização e comunicação  na assistência especializada / Avaliação de intervenções propostas.

Cronograma

Etapas do Processo de Aprendizagem e Intervenção
No 1º dia, inicia-se a etapa de Reflexão acerca da realidade. Nesse momento é realizada uma escuta de debriefing após um disparador, que pode ser uma situação-problema ou um vídeo relacionado ao tema. O objetivo é promover a conscientização, bem como a identificação e análise do problema apresentado. Também ocorre a identificação dos atores mediadores do processo. Essa etapa tem duração sugerida de 1 hora e resulta na elaboração de uma lista de problemas observados.

Ainda no 1º dia, ocorre a etapa denominada Pontos-Chave, na qual é feita a seleção dos problemas prioritários identificados anteriormente. Essa atividade também possui duração sugerida de 1 hora e tem como produto esperado a definição dos pontos focais que serão trabalhados.

Em seguida, ocorre a etapa de Teorização, prevista para uma semana de estudo. Nesse período é realizado um estudo teórico e busca na literatura, com a disponibilização de materiais profissionais relacionados ao tema. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre a problemática e favorecer a compreensão das causas e das evidências científicas relacionadas.

No segundo encontro, desenvolve-se a etapa de Hipóteses de Solução, que consiste na construção coletiva de soluções viáveis para os problemas identificados. A duração sugerida é de 1 hora, tendo como resultado a elaboração de um plano de ação.

Por fim, ocorre a etapa de Aplicação à Realidade, realizada por meio de reuniões trimestrais conforme cronograma estabelecido. Nessa fase são desenvolvidas oficinas práticas e atividades de implementação, além de aulas teórico-práticas, avaliação de indicadores assistenciais e reflexões sobre os resultados alcançados. Cada encontro possui duração estimada entre 2 e 4 horas, com o objetivo de manter a periodicidade de discussões sobre a temática e acompanhamento das ações implementadas.

Imagem do cronograma em anexo.

Resultados esperados.

Espera-se que a implementação das ações propostas, embasadas na metodologia da problematização, resulte na ampliação do conhecimento dos trabalhadores sobre os diferentes problemas que permeiam o processo de comunicação entre os diferentes profissionais que compõem as equipes multiprofissionais em ambientes de alta complexidade. Espera-se, o desenvolvimento de habilidades práticas relacionadas à comunicação. Como consequência direta desse processo, prevê-se a melhora da comunicação entre os diferentes agentes, reflexão crítica sobre a comunicação e seus impactos no ambiente de trabalho e cuidado aos pacientes. No que concerne aos processos de trabalho, espera-se uma transformação sustentada pela reflexão crítica, resultando no fortalecimento da cultura da comunicação efetiva em consonância com a proposta da política nacional de humanização.

Referências.

NOGUEIRA, J. W. S.; RODRIGUES, M. C. S. Comunicação efetiva no trabalho em equipe em saúde: desafio para a segurança do paciente. Cogitare Enfermagem, Curitiba, v. 20, n. 3, p. 636–640, jul./set. 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização (PNH). 1. ed., 1. reimpr. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: www.saude.gov.br/humanizasus. Acesso em: 27 fev. 2026.

Spagnol CA, Santiago GR, Campos BM de O, Badaró MTM, Vieira JS, Silveira AP de O. Situações de conflito vivenciadas no contexto hospitalar: a visão dos técnicos e auxiliares de enfermagem. Rev esc enferm USP [Internet]. 2010Sep;44(3):803–11. Available from: https://doi.org/10.1590/S0080-62342010000300036

Broca PV, Ferreira M de A. Equipe de enfermagem e comunicação: contribuições para o cuidado de enfermagem. Rev Bras Enferm [Internet]. 2012Jan;65(1):97–103. Available from: https://doi.org/10.1590/S0034-71672012000100014

RIOS, I. C.. Humanização e ambiente de trabalho na visão de profissionais da saúde. Saúde e Sociedade, v. 17, n. 4, p. 151–160, out. 2008.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. 4. ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. 72 p. (Série B. Textos Básicos de Saúde).

Ruiz da Silva et al. O arco de manguerez como metodologia ativa na formação continuada em saúde. Interfaces científicas – Educação, v. 8, n. 3, p. 41–54, 2020.