Vivências no estágio em Saúde Mental no CAPSi Dr. Luiz da Rocha Cerqueira: Um relato de experiência
Meu nome é Ágda de Freitas Carvalho, estudante do internato em Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, este relato tem como objetivo compartilhar um pouco das experiências e aprendizados adquiridos durante o estágio no CAPSI Dr. Luiz da Rocha Cerqueira.
A experiência no CAPSI, serviço voltado ao atendimento de crianças e adolescentes, foi extremamente significativa para minha formação acadêmica e humana. Ao longo do estágio, pude acompanhar de perto a dinâmica do cuidado em saúde mental infantojuvenil e compreender melhor a importância de uma abordagem multiprofissional e humanizada diante das diferentes demandas apresentadas pelos usuários do serviço.
Durante as atividades, tive contato com pacientes que apresentavam as mais diversas condições clínicas, incluindo variados níveis do Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) entre outros, o que ampliou meu olhar sobre as particularidades de cada indivíduo e sobre a necessidade de um cuidado singularizado. Além disso, participei de ações conduzidas por profissionais de diversas áreas, como psicologia, assistência social e educação física, observando como o trabalho em coletivo é essencial para a evolução terapêutica das crianças e adolescentes e capaz de construir valores e melhorar as interações sociais.
As oficinas e dinâmicas desenvolvidas ao longo das semanas eram planejadas conforme as necessidades específicas de cada grupo e levavam em consideração fatores como faixa etária, adaptação de novos participantes e demandas observadas durante o acompanhamento. Entre as atividades realizadas, estavam rodas de conversa, jogos educativos, pinturas, exercícios de memória, vídeos temáticos e debates relacionados a questões importantes do cotidiano, como inclusão, autoestima, convivência social e o uso excessivo de telas. Essas práticas favoreciam não apenas o desenvolvimento cognitivo e emocional dos usuários, mas também estimulavam a socialização e a expressão de sentimentos.
Outro momento muito significativo durante o estágio foi a participação em uma reunião entre os profissionais do serviço e representantes dos pais/usuários. Nesse encontro, foi possível compreender mais profundamente os desafios enfrentados diariamente pela equipe do CAPSI, como a sobrecarga do serviço, a dificuldade de acesso da população ao atendimento especializado e a longa espera por acompanhamento psiquiátrico. Também foram discutidas questões relacionadas à necessidade da abertura de outro CAPS, considerando a alta demanda existente, além da importância de direcionar o serviço prioritariamente aos usuários que realmente se enquadram no perfil CAPSI. Foi inspirador observar o esforço contínuo da equipe em criar oficinas terapêuticas cada vez mais dinâmicas e inovadoras, promovendo aprendizado, socialização e desenvolvimento para as crianças e adolescentes atendidos, sempre buscando proporcionar o melhor cuidado possível dentro das limitações existentes.
Durante o estágio, eu e minha dupla – Karolyne Moura – também desenvolvemos uma atividade de intervenção supervisionada pela coordenação do grupo. Considerando o perfil das crianças e a proximidade do Dia das Mães, escolhemos trabalhar o tema do respeito e da valorização dos seus responsáveis. A dinâmica foi organizada em dois momentos: inicialmente, conversamos sobre atitudes positivas e negativas nas relações familiares, incentivando as crianças a refletirem sobre comportamentos do dia a dia e a importância do cuidado, da colaboração e do carinho dentro de casa. Em seguida, realizamos uma atividade manual, na qual os participantes confeccionaram desenhos para presentear suas mães. O momento foi marcado pela participação ativa das crianças e por demonstrações de afeto, espontaneidade e criatividade.
Ao final dessa experiência, levo comigo inúmeros aprendizados que ultrapassam o conhecimento técnico. O estágio no CAPSI contribuiu significativamente para ampliar minha percepção sobre a saúde mental infantojuvenil, evidenciando a importância de um cuidado integral, acolhedor e individualizado. Além disso, tornou ainda mais evidente o papel fundamental desempenhado pelo serviço na promoção da inclusão social, no fortalecimento dos vínculos familiares e na redução dos estigmas relacionados aos transtornos mentais.
Sem dúvidas, foi uma vivência enriquecedora, marcada por trocas, crescimento profissional e desenvolvimento pessoal, que reafirmou a importância de olhar cada criança e adolescente para além do diagnóstico.
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