Relato do estágio em Saúde Mental no CAPS Dr. Sadi Feitosa de Carvalho

6 votos

Meu nome é Ramanna Rachid Vasconcelos Hamad, sou estudante do internato em Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas e esse é meu relato acerca das vivências do estágio no CAPS Dr. Sadi Feitosa de Carvalho:

O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Dr. Sadi Feitosa desempenha um papel fundamental na promoção da saúde mental, oferecendo um cuidado humanizado, centrado nas necessidades dos usuários. No período de estágio no serviço, observei a relevância do CAPS como espaço de acolhimento, escuta qualificada e construção de vínculos para a reabilitação psicossocial, através acompanhamento clínico, de atividades terapêuticas e educativas que fortalecem a autonomia e a qualidade de vida dessas pessoas em sofrimento psíquico, consolidando-se como um importante dispositivo da Rede de Atenção Psicossocial.

Dessa forma, a vivência no CAPS Dr. Sadi Feitosa representou uma contribuição significativa para minha formação acadêmica como interno de Medicina. O contato direto com usuários possibilitou o desenvolvimento de habilidades relacionadas à escuta ativa, ao acolhimento e à compreensão integral do paciente, indo além do modelo biomédico tradicional. Essa experiência também reforçou a importância do trabalho interdisciplinar com a atuação integrada entre a nutrição, a psicologia, a psiquiatria, a assistência social, entre outros.

Durante o estágio, participei de uma ação conduzida pela nutricionista do serviço em alusão à Luta Antimanicomial, movimento que defende os direitos das pessoas com transtornos mentais e seu protagonismo no cuidado em liberdade. A atividade promoveu reflexões sobre a história da reforma psiquiátrica brasileira e a importância da substituição dos modelos de exclusão por estratégias de cuidado baseadas na convivência comunitária, no respeito à cidadania e na valorização da autonomia dos usuários. O encontro favoreceu a troca de experiências e fortaleceu a compreensão de que o cuidado em saúde mental deve ocorrer de forma inclusiva, respeitando a singularidade e os projetos de vida de cada indivíduo. Além disso, foram realizadas outras atividades integradoras do cuidado, como o grupo de educação física, do grupo Ouvidores de Música e do Bingo.

Ao fim do estágio, eu e minha dupla Beatriz Persiano desenvolvemos a dinâmica intitulada “Expressando os Sentimentos”, na qual utilizamos diversos emojis para estimular os usuários a identificarem e compartilharem emoções presentes em suas vidas. A partir dessa proposta, os participantes relataram como esses sentimentos se manifestavam em seu cotidiano e quais estratégias utilizavam para lidar com eles. A discussão promoveu reflexões sobre autonomia, autoconhecimento e a importância de aplicar, fora do CAPS, os aprendizados adquiridos no serviço para enfrentar desafios pessoais. De modo geral, a experiência foi extremamente enriquecedora tanto para nós, enquanto futuros profissionais inseridos em uma equipe multiprofissional, quanto para os usuários, que participaram ativamente das atividades e compartilharam relatos positivos sobre o acolhimento, o fortalecimento de sua autonomia e o impacto do CAPS em suas trajetórias de recuperação e construção de uma vida com mais qualidade e liberdade.