HUMANIZANDO A PRÁTICA ASSISTENCIAL DO DISCENTE NO CENÁRIO DE ENFERMARIA HOSPITALAR

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HUMANIZANDO A PRÁTICA ASSISTENCIAL DO DISCENTE NO CENÁRIO DE ENFERMARIA HOSPITALAR

 

Proposta de intervenção apresentada à disciplina “Humanização dos cuidados em saúde” do Programa de Pós-graduação em Ensino em Saúde Mestrado Profissional da Faculdade de Medicina de Marilia (FAMEMA) no ano de 2026, ministrada pelas docentes Prof.ª Dra. Magali Aparecida Alves de Moraes e Prof.ª Danielle Abdel Massih Pio.

Tatiane Monarin Rodrigues; Claudia Correa dos Santos Silva; Tatiana Petermann Maximino; Eliane Silva Matos; Laura Elisa Vieira de Carvalho Seixas de Azevedo; Priscila Peres Traskini Mourão

 

1.      INTRODUÇÃO

A Política Nacional de Humanização (PNH) preconiza a comunicação e o acolhimento ao usuário, práticas que devido à falta de tempo e/ou acolhimento do discente no cenário tende a diminuir a capacidade de analisar, definir e qualificar os processos de trabalho, afetando o desenvolvimento acadêmico e o cuidado prestado ao usuário (Brasil,2013).

Embora a PNH seja o norteador principal, estudos recentes reforçam que o ambiente de internação hospitalar ainda impõe barreiras ao aprendizado humanizado devido à alta carga técnica, falta de espaço físico para o aprendizado e diminuição do vínculo entre docente/preceptor, discente, acompanhante e usuário (Teixeira; Nunes, 2024).

Casate e Corrêa (2012) reforçam que a universidade deve preparar o discente para lidar com a subjetividade do paciente, não apenas com a doença. O discente humanizado melhora a recuperação do paciente, mas também precisa de um ambiente que humanize o seu próprio aprendizado com o apoio do docente/preceptor. (Casate e Corrêa, 2012)

Para que o discente da área da saúde apresente autonomia e humanização no cenário de enfermaria, independente da presença ativa do docente/preceptor, elaboramos um roteiro para que o atendimento seja completo, humanizado e integral. (Mota, Martins, Véras, 2006)

 

2.      ROTEIRO DE VISITA HUMANIZADA

O roteiro de visita não é apenas uma lista de verificação, é um instrumento de transformação para o discente (constrói autonomia, segurança e pensamento crítico) e para o usuário e seu acompanhante (garante um atendimento completo, integral e humanizado).

Público-alvo: Todos os discentes e docentes dos cursos de saúde dentro das instituições de saúde.
Mediadores: Docentes e preceptores da educação de profissionais na assistência ao paciente.

Objetivo: Orientar os dicentes a melhorar sua visita ao paciente no ambiente de internação hospitalar, além de subsidiar de forma clara a sua prática clínica humanizada de acordo com os princípios norteadores.

Princípios Norteadores: Ética e sigilo profissional; Comunicação terapêutica; Humanização do Cuidado; Integralidade da assistência; Raciocínio clínico baseado em evidências.

A confecção de um instrumento roteirizando uma visita com métodos humanizado de forma prática, clara e efetiva dentro dos cenários de enfermaria hospitalar, garante um atendimento completo e autônomo, estruturado em três etapas complementares:

·         Pré visita: O planejamento – Planeja a abordagem individualizada, segura e baseada no quadro clínico atual (revisão de prontuário, intervenções e pendencias).

·         Visita: O encontro no leito – Avalia integralmente o paciente (biológico, psicológico e social) e subsidia a tomada de decisão clínica (acolhimento e vínculo, anamnese ampliada e exame físico)

·         Pós – visita: A consolidação do aprendizado – Determinar a conduta e avalia a continuamente o processo de aprendizagem (discussão de caso, raciocínio clínico e visita ao leito).

·         Feedback – Para o usuário aumenta a adesão ao tratamento proposto e promove a autonomia do acompanhante e do usuário no plano de cuidado. Para o discente consolida o aprendizado baseado nos princípios nortadores.

Ao estruturar a vivência clínica unindo o rigor científico a empatia, não estamos apenas tratando a doença de hoje, estamos moldando os profissionais que transformarão o cuidado de amanhã com ética, comunicação terapêutica, humanização do cuidado, integralidade da assistência e raciocínio clínico baseado em evidencias.

Roteiro de visita humanizada

3.      REFERÊNCIAS

Casate, J.C.; Corrêa, A.K. A humanização do cuidado na formação dos profissionais de saúde nos cursos de graduação. Rev esc enferm USP [Internet]. 2012 feb;46(1):219–26. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0080-62342012000100029

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização: PNH. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

Mota, R.A.; Martins, C.G. de M.; Véras, R.M. Papel dos profissionais de saúde na política de humanização hospitalar. Psicol Estud [Internet]. 2006 May;11(2):323–30. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-73722006000200011

Teixeira, M. L.; Nunes, T. M. Educação em saúde e humanização do atendimento: impactos na qualidade dos serviços em hospitais universitários. Revista FT, 2024. Disponível em: https://revistaft.com.br/educacao-em-saude-e-humanizacao-do-atendimentoimpactos-na-qualidade-dos-servicos-em-hospitais-universitarios/