Formação em ambiência finaliza atividades com debate sobre as mudanças no trabalho

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“É preciso mudar os ambientes de trabalho para alterar as atitudes no trabalho. A maneira como se constrói um espaço, pode favorecer ou não o processo de saúde.” Esta fala do professor da Universidade Federal Fluminense Eduardo Passos encerrou as atividades da Formação de Arquitetos e Engenheiros em Ambiência na Saúde, no dia 21 de agosto em Brasília – DF.

 

Segundo ele, os profissionais devem se engajar não só na execução, mas também no planejamento e na avaliação dos ambientes do SUS e intervir considerando a subjetividade do gestor, trabalhador e usuário para favorecer que as pessoas mudem seu comportamento e produzam saúde. Ele lembrou que a PNH não tem portaria que a institua no SUS, pois não quer se fazer valer apenas pelo cumpra-se, mas pela mudança de postura desses protagonistas do SUS, e deve ser assim também com as regulamentações do espaço. “Não basta o apoiador ter know-how, saber fazer algo. Isso é indispensável, mas não suficiente, é preciso fazer um saber coletivo, e que a equipe de saúde se sinta incluída nas discussões do espaço para produção de saúde”, afirmou.  Antes de sua fala e também no dia anterior, houve apresentação  oral e em pôsteres dos mais de 60 Planos de Intervenção dos arquitetos e engenheiros formados que se inseriram e puderam propor mudanças em diferentes serviços de saúde do país. “Não adianta o técnico projetar sem ouvir quem vai trabalhar nesse espaço”, afirmou a arquiteta Juliana Kowalski que fez seu plano de intervenção na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h Pinheirinho, em Curitiba- PR. “Revi o modo de projetar, com base na escuta do paciente”, afirmou Thabata Paiva, que fez seu plano de intervenção em João Pessoa – PB, na UPA Oceania. No Amazonas, a arquiteta Adriana Girão de Mello, propôs um Centro de Parto Normal com quarto PPP (pré-parto, pós-parto e parto) para a mulher indígena, na Maternidade Maria Celina Villa Cruz em Tabatinga. “É importante usar o saber de todos como ferramenta estratégica para projetar e conquistar outros ‘cartesianos’, arquitetos e engenheiros”, disse.


Para a apoiadora pedagógica da Formação, Vera Figueiredo, o movimento de inclusão das dificuldades, receios e as articulações ao longo do curso também alteraram o posicionamento desses profissionais em seu trabalho. “Cada Plano de Intervenção tem um compromisso firmado nos estados com gestores e usuários”, disse. A apoiadora pedagógica Flavia Barros, aponta que o curso foi sendo construído com os apoiadores formados. “Há transformação dos profissionais que criaram força ao longo do curso. Eles se modificaram, se empoderaram e modificaram o modo como se colocam no espaço e no SUS transformação esta que muda a realidade do SUS”, disse. Confirma isso o relato do formador Paulo Roberto Viana, responsável pela  Unidade de Produção Derretendo a Geada, que agrega os apoiadores da região sul do país “A função apoio me fez crescer como profissional e como pessoa. Incluir dissensos, valorizar todas as formas de manifestação, exercer escuta qualificada, entender as limitações  e subjetividade de cada um me amadureceram!”. Ele brindou a turma com uma poesia de sua autoria, sobre a Formação em Ambiência, que em breve será disponibilizada na RHS.

A apoiadora da PNH em São Paulo Cleusa Pavan participou da atividade e acredita que o diferencial da formação é o percurso da intervenção, que enfrenta o desafio de lidar com as resistências. Já Teresinha Moreira, apoiadora da PNH em Minas Gerais,  chamou a atenção para o grande leque de parcerias com os conselhos de saúde. “Vocês tocaram no núcleo duro das instituições, estão conseguindo que elas se movam”, disse. A formadora Simoni Prado, da UP Ministério da Saúde, produziu um vídeo com  avaliação dos arquitetos do MS que participaram da formação. Clique aqui para assistir.

A coordenadora da Frente de Ambiência na PNH Mirela Pessati apontou o potencial para a formação de redes, a partir da atuação dos arquitetos e engenheiros. “Boa parte dos trabalhos foca na mudança do processo de trabalho, com aumento da participação dos trabalhadores nas decisões de gestão”, disse. A assessora da coordenação da PNH para o curso de Ambiência Cathana Freitas acredita que a expectativa foi atingida. “Formamos mais de 60 apoiadores capazes hoje de discutir essa diretriz. Democratizamos o conhecimento e seguiremos em contato pela comunidade do curso na RHS, para amadurecer a proposta de montar grupos de trabalho nas SES e SMS que fortaleçam a participação dos arquitetos e engenheiros nos processos e decisões em saúde. Pode-se fazer módulos regionais para debate e multiplicação desses apoiadores”, disse. A formadora Georgia Cauduro, responsável pela Unidade de Produção Nordeste 2 propôs que seja formada uma frente de ambiência com mais arquitetos nos diferentes estados. “ Não é só fazer mais um projeto de arquitetura, a Formação possibilita analisar o nosso processo de trabalho”, disse.

O curso é uma iniciativa do Ministério da Saúde, por meio da PNH e do QualiSUS Redes. Para a coordenadora do QualiSUS, Ana Lúcia de Assis Gurgel, a parceria com a PNH foi fundamental para se investir bem o recurso público,  “Vamos divulgar amplamente esses projetos, nas conversas com as secretarias estaduais, pois o próximo passo é tornar real esses projetos nos territórios”, disse. O coordenador da PNH Gustavo Nunes de Oliveira acredita que há uma demanda crescente de trabalho em ambiência no SUS. “Vamos trabalhar para que vocês continuem inseridos no SUS, exercitando o que aprenderam na Formação”, disse. Ao longo do curso, em algumas regiões, já houve integração entre esses  novos apoiadores e os apoiadores da PNH nos territórios, como no Rio de Janeiro-RJ. Por lá, no dia 16 de agosto, mais de 100 pessoas participaram do evento da UP Carioca, em parceria com a Câmara Técnica do Rio de Janeiro, que congrega hoje 20 hospitais federais. Os conceitos de ambiência, apoio institucional e os cinco planos de intervenção foram apresentados, sendo um para o hospital do estado e outros quatro com o hospital da câmara técnica.

Estão previstas oficinas de ambiência nos coletivos regionais da PNH nos meses de outubro e novembro e a coordenação estuda ainda a possibilidade de uma segunda edição desta Formação de Arquitetos e Engenheiros em Ambiência na Saúde.

 

Assista ao vídeo abaixo, que apresenta as impressões de arquitetos e engenheiros do Ministério da Saúde sobre a Formação de Apoiadores: