O FSM – “Um outro mundo é possível!” – uma nova Utopia?

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 Aquilo que se aposta não é tanto um mundo utópico, mas um mundo que permita as utopias. Boaventura Sousa Santos, 2005

 E cá estamos em 2010 comemorando os 10 anos de Fórum Social Mundial! Foi em 2001, nesta mesma cidade Porto Alegre, que iniciamos este novo e diferente movimento social mundial – este movimento que luta contra a globalização neoliberal, luta contra a discriminação, a exclusão e a opressão. E será que aponta novos caminhos para a humanidade, como o socialismo ou o anarquismo? E será que deve se posicionar ideologicamente, conduzindo lutas de confronto direto ao capitalismo e ao imperialismo?

Estas são questões que atravessarão (já estão travessando, O FSM está acontecendo desde 25/01/2010) os debates neste ano 2010, quando os participantes, reunidos em Seminário 10 anos FSM, com presença de militantes/fundadores históricos, como Boaventura de Sousa Santos, Immanuel Wallerstein e Leonardo Boff, vão fazer um balanço dos 10 anos e discutir propostas para futuros fóruns.

Importante acompanharmos este grande acontecimento político-social, que tem se apresentado como mais que um movimento social, sua força vem da diversidade de toda a sua configuração, desde os diversos campos de luta, temáticas, etnias, religiões, partidos políticos, ONGs, e muito mais, constituindo-se, na sociedade contemporânea, como possibilidade de encontros e de construção de utopias entre os excluídos, oprimidos e discriminados na luta contra a globalização capitalista/neoliberal/excludente.

Seguindo o debate proposto por Santos (2005), o FSM é novo porque rejeita as formas de luta política guiadas pela noção de um sujeito histórico e não atribui prioridade   a qualquer ator social específico nesse processo de transformação social. Não assume uma ideologia claramente definida, tanto naquilo que rejeita como naquilo que defende(…) Para além do consenso sobre a não-violência, as suas formas de luta são extremamente diversas e estão distribuídas num continuo entre o pólo da institucionalidade e o pólo da insurreição .

Este é hoje um tema em debate pelos participantes do FSM 2010, avaliando esta trajetória de 10 anos, há aqueles que criticam a dispersão e ausência de propostas pelo FSM, defendendo a tomada de posição ideológica pelo FSM e formulação de propostas de lutas e confrontos mais diretos à globalização capitalista na direção da transformação social e construção de um Outro Mundo.

 Proponho que continuemos os debates em outros espaços de  militância/trabalho, abordando-se temáticas que dizem respeito às múltiplas lutas e movimentos sociais e políticos, articulando-se os diferentes saberes e poderes na construção de um OUTRO MUNDO!!

E que [email protected] presentes em Porto Alegre se manifestem, trazendo suas impressões e idéias sobre o que estão vivenciando neste FSM 2010. Aguardamos , abraços solidários, "UM OUTRO MUNDO È POSSÌVEL!"

Ana Rita Trajano

Santos, Boaventura de Sousa. O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL: manual de uso. São Paulo: Cortez, 2005.