Partilha sobre a experiência no CAPS Rostan Silvestre – Jatiúca, de Ian Xavier (Medicina – UFAL)

6 votos

Meu nome é Ian Daniel Aquino Xavier da Silva, sou estudante de medicina do 9º período da UFAL e estagiei no CAPS Rostan Silvestre, na Jatiúca. Essa experiência foi profundamente enriquecedora, marcada por uma excelente troca de conhecimentos não apenas com estagiários de Psicologia e Nutrição, mas também com profissionais de Educação Física e Assistência Social.

Essa convivência multidisciplinar foi fundamental para consolidar minha visão sobre a integralidade do cuidado, mostrando que a saúde mental se constrói através de múltiplos olhares e saberes. No cotidiano da unidade, percebe-se que a prática das Redes de Atenção Psicossocial (RAPS) apresenta desafios que muitas vezes distanciam a realidade da teoria. Consegui perceber dificuldades materiais, falta de incentivos estruturais e limitações de recursos pessoais, obstáculos que testam diariamente a resiliência do serviço. No entanto, mesmo diante dessas barreiras, o CAPS segue conseguindo fazer uma diferença vital na longitudinalidade do cuidado, garantindo o vínculo e o acompanhamento constante que sustentam a reintegração social dos usuários.

Tive a oportunidade de participar/auxiliar diversas atividades, e através delas percebi que, como estudante de medicina, as medidas comportamentais e oportunidades de partilha que são ensinadas e oferecidas pelo CAPS tem tanta importância quanto o tratamento farmacológico, sendo essas duas estratégias, pilares fundamentais no tratamento e seguimento desses pacientes.

Um dos momentos mais marcantes dessa vivência foi a realização de uma dinâmica em que entregamos papéis e lápis coloridos aos usuários, convidando-os a desenhar sobre seus sentimentos. Foi bonito observar o engajamento de cada um na atividade, que se mostrou extremamente proveitosa e reveladora. Ficou evidente como a maioria buscava ser protagonista do próprio cuidado, agindo como atores centrais de sua própria trajetória e não apenas como instrumentos passivos de um sistema, agindo em prol de uma mudança. Ver todos participando ativamente reafirmou que, apesar das carências estruturais, o foco na autonomia e na subjetividade é a base que impulsiona a reforma psiquiátrica, devolvendo dignidade aos pacientes com psicopatologias.